5º Yama - Yama - Aparigraha

*Fonte: http://yogarealm.blogspot.com.br/2013/01/yama-aparigraha-nao-possessividade.html


Estou empolgada em escrever sobre este post, pois falar sobre Aparigraha sempre me deixa muito feliz! Chegamos no quinto e último princípio do Yama, e pode crer que é a cereja no topo do bolo. Aparigraha é uma arte, uma finesse da alma que muitos poucos conseguem cultivar numa fase mais adulta ou madura da vida. É muito fácil ser livre, leve e solta quando somos jovens ou crianças, pelo menos pra mim, sinto que agora que cheguei na casa dos 30 tenho mais dificuldade em me desapegar de certas coisas... mas enfim, vamos voltar para o que interessa.

Aparigraha é um princípio que nos convida a aproveitar a vida em sua máxima totalidade e potencialidade, mas mantendo viva a nossa capacidade de largar tudo no momento em que aquela "onda" vai embora, não importando o quanto aquele momento, pessoa, lugar ou coisa nos fez feliz naquele momento... Ou seja, aparigraha é desapego, não - posse, não- ganância, não- agarrar, em relação a tudo em nossas vidas. Aparigraha é confiar total e plenamente no momento, é se entregar nas mãos dessa força maior que você, é viver a vida na sua mais bela forma...

A nossa respiração pode ser um excelente professor na arte de Aparigraha. Expiramos a todo momento confiando cegamente que no próximo momento a inspiração vai vir até nós. E se conseguíssemos confiar na vida assim como confiamos na nossa respiração? E se conseguíssemos absorver tudo aquilo que o momento nos oferece e depois desapegar totalmente, confiando que o próximo momento irá nos trazer mais "coisas"? A vida é um constante fluxo de idas e vindas em forma de casas, trabalho, amigos, relacionamentos, rotinas.... Aparigraha nos ensina que a única coisa que não muda é a própria mudança... a natureza de aparigraha é a impermanência.


Um trapezista se agarra de uma barra em outra sem esforço, ele confia que a outra barra irá vir , larga totalmente a barra em que estava pendurado e por um momento ele fica suspenso no ar até que a outra barra venha em sua direção. Se ele continuar pendurado, e tentar se agarrar à outra barra sem largar totalmente da barra em que ele está pendurado...ele cai... tudo sai da sincronicidade, a performance perde a sua fluidez e beleza. Isso é aparigraha, fluir na vida de uma barra à outra, sem esforço, com total confiança e entrega. Se apegar por qualquer coisa por muito tempo afim de manter a falsa sensação de segurança é fatal para o nosso espírito e para o desenvolvimento natural dos fatores em nossa vida...

Aparigraha nos ensina que aquilo que possuímos, passa a possuir a gente. O apego às nossas próprias idéias nos torna pessoas entediantes, cegas a novas oportunidades e inflexíveis. Desapegar de tudo aquilo que conhecemos, gostamos ou estamos habituados nos faz sentir cru, é desconfortável, vulnerável... e absolutamente delicioso! O coração vibra, os olhos brilham, os sentidos aguçam, a espontaneidade e a alegria te permeiam e tudo fica como elas realmente são. Não tente ser perfeito ou invencível... isso nos afasta da nossa natureza, de Deus.

De quanto peso a mais precisamos carregar nas costas? Como se a vida já não tivesse seus próprios desafios, pra quê insistimos em nos agarrar ao passado ou ao futuro, pra quê nos enchemos de expectativas, ressentimentos, decepções? E se acordarmos toda manhã e não levássemos nada com a gente? E se esse for todo o objetivo da Vida? Morremos e levamos apenas aquilo que trouxemos... nossa alma. Então, porquê não nos desfazemos de toda essa carga e caminhamos em direção à liberdade, à vida, a Deus?

Lembrando também que desapego nada tem a ver com não se importar e/ou ser negligente com os outros ou com nossas coisas. Aparigraha nos ensina a "ter" as coisas e não possuí-las, sabemos "ter" quando sabemos "ser". Quando reconhecemos a natureza impermanente das coisas, ficamos imersos no momento, apreciamos ainda mais a vida e os outros.

Sinto que a jornada da vida é sempre em direção à liberdade, tudo que nos faz sentir presos, reprimidos ou sem vida...devemos largar com tudo e com a certeza em nosso coração de que estamos no caminha errado, sem olhar pra trás, pois o que quer chegar até você é sempre grandioso e libertador .  Já ouviram a expressão: " A vida dá a quem se dê"?

Praticar constantemente a generosidade, confiança e entrega total nos mantêm sempre abertos e fluímos em direção à Vida.  A vida sempre quer dar  muito mais do que aquilo que não queremos largar...

*Fonte: http://www.fabianogomes.com.br/desapego-aparigraha/

Desapego – aparigraha

A quinta norma ética do Yôga é aparigraha, a não-possessividade.

    · O yôgin não deve ser apegado aos seus bens e, ainda menos, aos dos demais.
    · Muitos dos que se “desapegam” estão apegados ao desejo de desapegar-se.
    · O verdadeiro desapego é aquele que renuncia à posse dos entes queridos, tais como familiares, amigos e, principalmente, cônjuges.
    · Os ciúmes e a inveja são manifestações censuráveis do desejo de posse de pessoas e de objetos ou realizações pertinentes a outros.

Preceito moderador: A observância de aparigraha não deve induzir à displicência para com as propriedades confiadas à nossa guarda, nem à falta de zelo para com as pessoas que queremos bem. 

Esta norma ética trata como diz Pátañnjali, da compreensão do sentido da vida, da sua transitoriedade, e assim possibilitando a sua vivência plena.

Quando se observa a não-possessividade, compreende-se o sentido da vida. (II-39) [1]

Devemos eliminar o sentimento de posse não só dos bens materiais, mas também dos afetos, e sentimentos que nos aprisionam. Conseguindo alcançar este estado interno de desapego passamos a perceber o que realmente nos é valioso eliminando a dependência do que é supérfluo. O mais importante é trabalhar o sentimento de posse e não a posseem si. Comoaprendemos anteriormente, a prosperidade é necessária para a vida digna, assim como o discernimento de que tudo é transitório.

Apesar de sabermos que:

O apego à vida é natural e está presente até no sábio. (II-9) [2]

A tradição nos ensina que enquanto não nos liberarmos dos liames e travas emocionais que o sentimento de posse nos gera, jamais atingiremos o estado de samádhi. Todos os nós provocados pelo sentimento de posse geram grande sofrimento, proporcionalmente a dificuldade de abandoná-los.

Preocupar-se com coisas transitórias, ou seja, com todas as coisas, pois se são coisas, são transitórias; gera instabilidade emocional.


[1]. DeRose, Mestre. Yôga Sútra de Pátañjali. São Paulo, Editora União Nacional de Yôga, 1982, p. 76.
[2]. DeRose, Mestre. Yôga Sútra de Pátañjali. São Paulo, Editora União Nacional de Yôga, 1982, p. 69 

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