Meditação
"Meditação não significa tentar alcançar o êxtase, felicidade espiritual ou tranquilidade, nem tentar tornar-se uma pessoa melhor. É simplesmente a criação de um espaço no qual tenhamos condições de expor e desfazer nossos jogos neuróticos, nossas autoilusões, nossos temores e esperanças ocultos. Criamos esse espaço pela mera disciplina de fazer nada.
Na verdade, é muito difícil não fazer nada. No início, imitamos mais ou menos o não fazer nada e, gradualmente, nossa prática irá se desenvolvendo. Portanto, a meditação é um meio de aflorar as neuroses da mente usando-as como parte de nossa prática. Da mesma forma que o adubo, não jogamos nossas neuroses fora, mas as espalhamos em nosso jardim; elas se tornam parte de nossa riqueza.
Na prática da meditação, nem prendemos demais a mente, nem a deixamos completamente solta. Se tentarmos controlar a mente, sua energia retroagirá sobre nós. Se deixarmos a mente completamente solta, ela se tornará desenfreada e caótica. Assim, deixamos a mente livre, mas, ao mesmo tempo, aplicamos alguma disciplina. (...)
Consciência dos movimentos corporais, da respiração e da situação física individual, são técnicas comuns a todas as tradições. A prática básica consiste em estar presente, aqui mesmo. O objetivo é também a técnica. Estar precisamente neste momento, não se reprimindo, nem se deixando fluir de modo incontrolado, mas estando precisamente consciente daquilo que se é. A respiração, assim como a existência física, é um processo neutro que não contém conotações 'espirituais'. Simplesmente nos tornamos atentos ao seu funcionamento natural. (...)
Em vez de tentarmos nos esconder de nossos problemas e de nossas irritações, reconhecemos aquilo que somos. A meditação não deve ser um recurso para nos esquecermos de nossos compromissos profissionais. Na realidade, na prática da meditação em postura sentada, nos relacionamos o tempo todo com nossa vida cotidiana. A prática da meditação traz nossas neuroses à tona em vez de escondê-las no fundo de nossas mentes. Ela nos possibilita lidar com nossas vidas como algo exequível.
Eu imagino que as pessoas acreditem que, se tivessem possibilidade de se afastar da agitação da vida, poderiam realmente iniciar algum tipo de prática contemplativa no alto das montanhas ou à beira-mar. Contudo, desvencilharmo-nos de nossas vidas mundanas é negligenciar o alimento, o verdadeiro nutrimento que existe entre duas fatias de pão. Quando pedimos um sanduíche, não pedimos duas fatias de pão; temos algo no meio que é substancial, comestível, delicioso, e o pão o acompanha.
Por conseguinte, o nos tornamos cada vez mais conscientes das circunstâncias da vida, das emoções e do espaço no qual elas ocorrem, pode nos abrir para uma consciência panorâmica ainda mais ampla. A essa altura, desenvolve-se uma atitude compassiva, cordial. É uma atitude de aceitação fundamental de si mesmo, ao mesmo tempo retendo a inteligência crítica. Apreciamos o lado alegre da vida, juntamente com o seu lado doloroso. Lidar com as emoções deixa de ser um problema. As emoções são como são, nem reprimidas, nem favorecidas, mas simplesmente reconhecidas.
Portanto, a consciência exata dos detalhes leva a uma abertura para a totalidade complexa das situações. Como um grande rio que corre para o oceano, a estreiteza da disciplina leva à abertura da consciência panorâmica. Meditação não é simplesmente sentar-se sozinho numa determinada postura atento às atividades comuns, mas também uma abertura para o meio ambiente no qual esses processos acontecem. O ambiente passa a ser um lembrete para nós, fornecendo-nos continuamente mensagens, ensinamentos e insights."
— Chögyam Trungpa Rinpoche, em "O Mito da Liberdade e o Caminho da Meditação"
Na verdade, é muito difícil não fazer nada. No início, imitamos mais ou menos o não fazer nada e, gradualmente, nossa prática irá se desenvolvendo. Portanto, a meditação é um meio de aflorar as neuroses da mente usando-as como parte de nossa prática. Da mesma forma que o adubo, não jogamos nossas neuroses fora, mas as espalhamos em nosso jardim; elas se tornam parte de nossa riqueza.
Na prática da meditação, nem prendemos demais a mente, nem a deixamos completamente solta. Se tentarmos controlar a mente, sua energia retroagirá sobre nós. Se deixarmos a mente completamente solta, ela se tornará desenfreada e caótica. Assim, deixamos a mente livre, mas, ao mesmo tempo, aplicamos alguma disciplina. (...)
Consciência dos movimentos corporais, da respiração e da situação física individual, são técnicas comuns a todas as tradições. A prática básica consiste em estar presente, aqui mesmo. O objetivo é também a técnica. Estar precisamente neste momento, não se reprimindo, nem se deixando fluir de modo incontrolado, mas estando precisamente consciente daquilo que se é. A respiração, assim como a existência física, é um processo neutro que não contém conotações 'espirituais'. Simplesmente nos tornamos atentos ao seu funcionamento natural. (...)
Em vez de tentarmos nos esconder de nossos problemas e de nossas irritações, reconhecemos aquilo que somos. A meditação não deve ser um recurso para nos esquecermos de nossos compromissos profissionais. Na realidade, na prática da meditação em postura sentada, nos relacionamos o tempo todo com nossa vida cotidiana. A prática da meditação traz nossas neuroses à tona em vez de escondê-las no fundo de nossas mentes. Ela nos possibilita lidar com nossas vidas como algo exequível.
Eu imagino que as pessoas acreditem que, se tivessem possibilidade de se afastar da agitação da vida, poderiam realmente iniciar algum tipo de prática contemplativa no alto das montanhas ou à beira-mar. Contudo, desvencilharmo-nos de nossas vidas mundanas é negligenciar o alimento, o verdadeiro nutrimento que existe entre duas fatias de pão. Quando pedimos um sanduíche, não pedimos duas fatias de pão; temos algo no meio que é substancial, comestível, delicioso, e o pão o acompanha.
Por conseguinte, o nos tornamos cada vez mais conscientes das circunstâncias da vida, das emoções e do espaço no qual elas ocorrem, pode nos abrir para uma consciência panorâmica ainda mais ampla. A essa altura, desenvolve-se uma atitude compassiva, cordial. É uma atitude de aceitação fundamental de si mesmo, ao mesmo tempo retendo a inteligência crítica. Apreciamos o lado alegre da vida, juntamente com o seu lado doloroso. Lidar com as emoções deixa de ser um problema. As emoções são como são, nem reprimidas, nem favorecidas, mas simplesmente reconhecidas.
Portanto, a consciência exata dos detalhes leva a uma abertura para a totalidade complexa das situações. Como um grande rio que corre para o oceano, a estreiteza da disciplina leva à abertura da consciência panorâmica. Meditação não é simplesmente sentar-se sozinho numa determinada postura atento às atividades comuns, mas também uma abertura para o meio ambiente no qual esses processos acontecem. O ambiente passa a ser um lembrete para nós, fornecendo-nos continuamente mensagens, ensinamentos e insights."
— Chögyam Trungpa Rinpoche, em "O Mito da Liberdade e o Caminho da Meditação"
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