Savasana (ou Savashana)


Eu não dava muita importância ao Savasana em minha prática, achava que era só um relaxamento no fim da aula. Então caí neste texto:

No Savassana permitimos à terra exercer gravidade sobre o nosso corpo: nervos, fáscias, músculos, órgãos e articulações.

E sob ela, a gravidade, todo o corpo se organiza

A mente finalmente descansa. Porque não precisa pensar em mexer o dedo, nem em mexer o cabelo, nem em coçar o cotovelo e nem em nada.
No savassana, a mente também se entrega à gravidade e é aí que o corpo resgata sua autonomia…

    45 minutos de Savassana por dia devolvem ao corpo postura e organização
    45 minutos de Savassana equivalem a uma meditação
    45 minutos de Savassana por dia correspondem a uma puta libertação


*Fonte: http://boa-yoga.com/eu-te-savassano/


Então, passei a pesquisar mais sobre esta postura e descobri muitas maravilhas. Irei compartilhar aqui os melhores textos que encontrei.




SAVASANA

Savasana (também conhecido como postura do cadáver ou postura do relaxamento) é considerado um dos asanas mais difíceis de realizar, porque é necessário permanecer deitado num estado de relaxamento profundo e consciente – e não adormecer! Leslie Kaminoff escreve no seu livro “Yoga Anatomy”:

    “Classificação e Nível: Dependendo da perspectiva, é muito fácil ou muito avançado”.

Ainda descreve:

    “a postura do cadáver é dito ser o mais fácil asana para executar, mas o mais difícil de dominar”.

É essencial passar algum tempo em savasana no final de qualquer tipo de prática de asana, seja uma prática de 20 minutos ou 2 horas. Ele permite a integração no corpo de todos os movimentos / asanas praticados e providencia a libertação de toda a tensão residual.

Normalmente praticado em decúbito dorsal, podemos modificar a posição ou utilizar apoios de modo que a postura se torne o mais confortável possível.  Por exemplo, se tiver irritação ou compressão do nervo ciático, seria mais confortável colocar almofadas por baixo dos joelhos.

Como praticar:

Para entrar melhor na postura, podemos praticar estes movimentos primeiro para assentar as costas no tapete:

1)     Deitar de costas, com as pernas dobradas e colocar as mãos no baixo ventre. Na próxima inspiração, pressionar o cóccix para baixo de modo que o lombar saia do tapete; expirar, rodar a bacia de modo que o cóccix saia do tapete e o lombar assente no tapete.  Repetir 6 à 10 vezes.  Após uma expiração, inspirar e deixar as costas ficar em neutro.


2)     Na próxima inspiração, com as pernas e pés unidos, tirar os pés do tapete e colocar as mãos nos joelhos; na expiração, levar os joelhos junto ao peito com a ajuda das mãos. Inspirando e expirando, repetir o movimento algumas vezes.

3)     No fim de uma expiração, abraçar as pernas, voltar a inspirar e quando expirar, levantar a cabeça do tapete, com o queixo junto das clavículas, levando-a na direção dos joelhos; inspirar, baixar a cabeça e ficar nesta posição durante uns momentos.

4)     Voltar a colocar os pés no tapete, baixar os braços, e relaxar durantes mais uns momentos.
5)     Por fim, deslizar as pernas para o tapete, fazer um suspiro e sentir o corpo assentar no tapete.

Na postura:
Durante uns momentos, dirigir a atenção à respiração que agora se vai tornando lenta e profunda; tomar consciência que o corpo relaxa cada vez mais na expiração, e, começando com os pés, percorrer o corpo todo, mentalmente soltando-se de qualquer tensão residual. Deixar um leve sorriso formar-se nos lábios para ajudar relaxar as feições da cara e entregar-se completamente à postura, sentindo todo o corpo leve, num estado de relaxamento profundo e tranquilo.
Nota: Na gravidez, ficar deitada de costas pode ser incómodo, e das 32 semanas em diante, devido à pressão sobre a veia cava, a mãe devia-se colocar no seu lado esquerdo (para evitar a compressão do fígado o que pode causar desconforto), utilizando almofadas para suportar a cabeça e manter a coluna cervical em linha com o resto da coluna, uma almofada para separar os joelhos e, nas últimas fases da gravidez, um cobertor sob a barriga para suportar o peso do bebê.





Shavásana, ou savasana, a “postura do cadáver“, é a clássica postura deitada no chão, de costas, geralmente realizada durante o Yoga Nidra, na parte final de uma prática de Hatha Yoga. “Alguém pode dizer: ‘o quê pode ser mais fácil do que deitar com os braços ao lado do corpo?‘ A postura física grosseira, é verdade, essa não é difícil(…), mas shavasana não é apenas um descanso para o corpo, é também um disciplina meditativa, bem na fronteira entre a prática de asanas e a prática da meditação”, diz Alan Wallace, mestre, estudioso e grande tradutor do Budismo Tibetano. A importância de shavásana como ele aprendeu com o grande mestre indiano do Yoga B.K.S. Iyengar, está contada brevemente no vídeo abaixo, mais uma das preciosidades que encontramos na rede através da generosidade de pessoas que produzem e disponibilizam esse material, e que acabam chegando até nós. Principalmente de Alan Wallace, obviamente. É um relato único de um encontro de dois grandes mestres.

Agradecimentos à Jeanne Pill, que traduziu e legendou o vídeo, e também aos franceses Marie e ao François, do RoadsToBliss.com, que originalmente publicaram o vídeo (merci beaucoup, amis!).

Segue o vídeo (10min36seg) com legendas embutidas em português (caso não apareçam automaticamente, clica no controle de legenda na parte inferior do vídeo) (caso o vídeo não apareça, recarregue esta página ou use este link alternativo).




Meditação em Savasana
*Fonte: http://boa-yoga.com/meditacao-em-savasana/

Em sua obra prima, Light on Yoga, B. K. S. Iyengar dedica um longo texto a śavāsana e descreve seus efeitos utilizando o verso 32 do primeiro capítulo do Haṭha Yoga Pradīpikā que diz:

“Deitar-se em todo o comprimento com as costas sobre o chão, como um cadáver, se denomina śavāsana, remove a fadiga causada por outros āsanas e induz a calma na mente.”

E o verso II do segundo capítulo do Geraṇḍa Saṁhitā:

“Deitar nivelado no chão (sobre as costas) como um cadáver é denominado mṛtāsana. Esta postura destrói a fadiga e aquieta a agitação da mente.”

E prossegue Iyengar: ‘A mente é o senhor dos Indriyas (órgãos dos sentidos); o prāṇā (sopro da vida) é o senhor da mente.’ ‘Quando a mente está meditativa é chamadamokṣa (emancipação final, liberação da alma); quando prāṇā e manas (a mente) foram absorvidos, resulta uma alegria indefinível.’ (versos 29 e 30, capítulo IV, Haṭha Yoga Pradīpikā)

“Dependemos dos nervos para domar o prāṇā. A respiração tranquila, suave e profunda sem nenhum movimento brusco do corpo alivia os nervos e acalma mente. O estresse da civilização moderna causa a extenuação dos nervos. Śavāsana é o melhor antídoto.”

No inverno de 1991 Allan Wallace foi do Sri Lanka até Pune fazer aulas no centro de yoga de B. K. S. Iyengar (RIMYI). Alan Wallace é estudioso, praticante e professor de meditação. Um dos poucos mestres budistas que ensinam śavāsana como uma postura legítima para a meditação. Dr. Wallace, compartilhando sua experiência de ser aluno de BKS Iyengar, conta que estava impressionado pela extraordinária precisão, insight, conhecimento e absoluta autoconfiança do mestre do yoga.

Ele o ouviu com muito cuidado e praticou assiduamente horas por 5 horas por dia, com aulas de 1 hora e meia dia de duração. De acordo com ele, um dos maiores presentes que recebeu de Iyengar, além de toda a variedade de āsanas que lhe foram ensinados, foi a importância de śavāsana, a postura do cadáver:

“(…) ele ensinou śavāsana com toda a precisão, com toda a seriedade com que ensinou até mesmo os āsanas mais avançados e mais difíceis. (…)

A postura física não é difícil: você se deita numa linha reta, com os braços a 30º do tronco, palmas das mãos para cima, cabeça sobre um cobertor. (…) Mas śavāsana não é apenas um descanso para o corpo. É também uma disciplina meditativa, bem na fronteira entre a prática de āsanas e a prática da meditação. E ele ensinava o que fazer com a mente naquela posição:

‘Você deve trazer sua mente diretamente para o momento presente e colocá-la em śavāsana. Você estabelece a mente no corpo, quieta, sem reagir, sem cogitar, sem esperar, sem temer, sem lembrar, sem planejar. Não há mais nada a fazer, exceto estar agora em śavāsana.

Se você quer meditar, sentar ereto em padmāsana ou em alguma outra postura de meditação formal, sentado com as pernas cruzadas, está tudo muito bem. Mas primeiro domine śavāsana; porque se você não domina śavāsana, você não está pronto para meditação.’

“Śavāsana é uma forma de meditação, uma forma de cultivar a atenção plena, a consciência, a calma e a imobilidade. Não é cair no sono. É, definitivamente, um processo de cultivar a mente numa postura em que você pode colocar o corpo profundamente relaxado, sem desconforto, sem luta para manter-se na posição correta.

Essa é uma boa base para a meditação e os grandes mestres da tradição doyoga descobriram isso há séculos na Índia rural. (…) Com seu corpo profundamente relaxado, sua mente profundamente tranquila, você pode avançar e começar a meditar. Mas sem essa plataforma dada por śavāsana, você trará para a sua prática todo esse lixo da modernidade, atravancando sua prática de meditação. Então, eu sou um dos poucos professores de meditação que enfatiza fortemente isso. E, na verdade, você encontra nos ensinamentos do Buda sobre meditar sentado, deitado, em pé e caminhando, todas posturas legítimas para meditação.

Ao envelhecermos, pode ser que não tenhamos mais a habilidade de sentarmos numa postura apropriada para meditar por longos períodos. E então: paramos de meditar? Então, já agora, na plenitude da vida, aprender a meditar corretamente na posição de supino já estará nos preparando para podermos meditar bem eficazmente, mesmo em ocasiões em que estivermos doentes ou acamados.”



 Savasana e seus benefícios I
*Fonte:  http://www.yogapelapaz.com.br/blog/?p=4263


Os americanos utilizam a gíria Get a Life, que significa: “vá cuidar da sua vida”.

A última camiseta que eu comprei continha a seguinte frase: “Cuide de você”.

No retiro que fiz em Garopaba, um dos instrutores sugeria o uso de um espelho com a seguinte instrução: “vá se enxergar”.

O recado está dado. Sugestão na ação: larga esse espelho, deixa de lado a camiseta e os americanos com suas gírias e  desiluda-se em Savasana (postura do cadáver), abrindo mão daquilo que precisa ir embora, dando espaço ao novo que anseia por um lugarzinho dentro de você. Cuide de VOCÊ.

Nos textos clássicos, encontramos diversas explicações sobre esta postura.

O Hatha Yoga Pradipika traz a seguinte descrição: “Permaneça estendido no solo com o rosto voltado para cima, como um morto (sáva); este ásana elimina o cansaço ocasionado por outros ásanas e proporciona descanso à mente.”

No Gheranda Samhita essa postura é considerada o ásana mais importante e o mais simples. Pode-se, no entanto, também considerar como o mais difícil, pois requer total relaxamento dos músculos e da mente.

B.K.S Iyengar diz que em savásana “treinamos e nos educamos para a arte da entrega, aprendendo a silenciar e aquietar-se.” E questiona: “Afinal, o que é a morte senão o estado de não existência e desapego dos estímulos sensoriais, ambos estados que experimentamos em savasana? É como se fosse um treinamento ao morrer, a entrega”

A literatura de Yoga Restaurativa da Mestre Judith Lasater ressalta:

“Se você não consegue tempo algum para fazer nada pela sua saúde, arranje tempo para praticar pelo menos essa postura.”


Savasana e seus benefícios II
*Fonte: http://www.yogapelapaz.com.br/blog/?p=4270

A Yoga Restaurativa possui algumas variações de savasana (postura do cadáver). São mais de cinco e sugerem o uso de bolsters cadeiras, cintas e blocos.

No Ayurveda (medicina tradicional indiana) essa postura é indicada para o biotipo Vata (saiba mais AQUI).

Os desequilíbrios dos Doshas (biotipos do Ayurveda) sempre ocorrerão, em um primeiro momento, em Vata. Portanto, essa postura é bem-vinda para todos.

Minha sugestão é que mudemos o tempo de execução de Savasana com seus alunos.

Para pessoas com desequilíbrio no humor Vata, coloque alguns saquinhos de areia nas mãos, tornozelos, ombros. Tempo de permanência na postura: 25 minutos.

Pitta (saiba mais AQUI): Sugira que o aluno repouse o corpo sobre blocos, ou solicite que a pessoa deite sobre o lado direito do corpo, o que acalma e beneficia o sistema digestivo.

Kapha (saiba mais AQUI): diminua o tempo de duração da prática do savasana (nunca menos de 15 minutos). Eleve as pernas do aluno, nada de muito conforto.

Os benefícios da postura, de acordo com Judith Lasater, incluem: diminuição da pressão arterial e batimentos cardíacos, diminuição da tensão muscular, redução da fadiga, combate a insônia, aumenta a resposta imunológica, e auxilia no gerenciamento da dor crônica.

A permanência na postura precisa ser de, no mínimo, 15 minutos para que você relaxe e atinja o sistema nervoso central.

A prática pode levá-lo a desiludir-se ao perceber atitudes e pensamentos automáticos. Emoções que andavam estagnadas em você, valores e credos que não fazem mais parte do seu presente, dores, rancores que precisam ir embora de vez são revistos durante a prática.

Mas tranquilize-se, pois o professor Hermógenes diz que desiludir-se é algo bom, significa que você deixou de ser um iludido, e que devemos festejar, ao invés de entristecer.

“O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo”. (Léon Tolstoi)


Agora, vamos à prática! A vida é mesmo incrível. Nos últimos tempos venho pensando em como iniciar minha meditação, pois de nada adianta querer se não consigo por em prática. Para por em prática, precisava de um estímulo (afinal, todos dizem que é muito difícil). E agora, já sei como dar meu primeiro passo: SAVASANA! 

Gratidão! _/\_

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