A DIVERSIDADE É CONSISTENTE COM A TRADIÇÃO?

Visto que hoje o Yoga está cada dia mais disseminado entre as pessoas, é possível ver uma gama muito grande de pessoas que praticam, ásanas, há muita informação, muitas imagens. Apesar de toda a sua beleza, acredito que essa fama diante dos ásanas mais difíceis não leva em conta o que vai por trás do Yoga, cujo objetivo é muito mais o autoconhecimento do que a execução da postura em si.
Estou lendo o "Manual do Hatha Yoga" e achei legal esta parte que fala da evolução dos ásanas e tudo mais.



Ao recuarmos no tempo, para o período do Yoga Clássico, codificado por Pátañjali no Séc III a.C; ou mesmo até para antes disso, no período Pré-Clássico dos Vêdas mais antigos, entre 2500 a.c. e 500 a.c., as referências ao Yoga nos shastras e a tradição oral indicavam que este estava muito mais vinculado aos conceitos de meditação, iluminação, transcedência, conhecimento, ação e atitude
do que com o uso extensivo técnicas corporais ou ásanas. Os ásanas centravam-se principalmente em tornos dos dhyánásanas (ásanas de posição sentada para meditação) e possivelmente mais um pequeno conjunto de ásanas com atuação mais direta sobre as energias, densas e sutis, do organismo.


Como qualquer atividade humana, ao difundir-se, é inevitável que se amplie e se diversifique. Por milhares de anos, gerações de mestres ao procurar a evolução de algum aluno que tinha alguma dificuldade coporal específica, seu professor preenchia esta lacuna através do desenvolvimento de novas variações de ásanas, que a seguir eram incorporadas pelas gerações seguintes.

Esse desenvolvimento ganhou um impulso ainda maior a partir do século XI d.c., quando surgiu o Hatha Yoga que elevou a utilização dos ásanas dentro do Yoga à um patamar inédito, ampliando a diversidade de opções, ao codificar trinta e duas posições no Geranda Samhita, dando maior ênfase às técnicas corporais, influenciando grande parte das escolas de Yoga posteriores. Essa influência pode
ser verificada consultando os shastras anteriores e posteriores a este período. Esse processo prosseguiu até os dias de hoje, o que permitiu chegar ao grande número de técnicas codificadas.


É curioso observar que o interesse crescente pelos ásanas a partir do Sec.XI talvez tenha até influenciado as representações mais utilizadas para Shiva, o criador do Yoga. Suas citações mais recuadas nas escrituras frequentemente reportam ao seu aspecto de transcendência e a representação mais antiga, encontrada em Harappa, é de seu aspecto em meditação (Pashu-Pati, senhor das
feras). Já uma das mais populares no Ocidente atualmente é como Shiva Natarája, rei dos bailarinos.
Assim, a diversidade de ásanas apesar de estar presente nas origens é consistente com a tradição do Yoga, como um desenvolvimento natural. Atualmente também auxilia muito os que iniciam sua prática, pois o professor de Yoga conta com um ferramental muito mais amplo de técnicas, podendo escolher as que causam melhor efeito, levando em conta a estrutura biológica e características específicas de seus alunos.


É necessário que o praticante tome redobrada atenção quanto a adoção exagerada de técnicas, ao procurar ser muito abarcante, visando um Yoga mais completo, e não direcionando a execução e a evolução das técnicas para a meta real de desenvolvimento dentro do Yoga, o que exige foco e estratégia de longo prazo.
Como o Prof. André, cita em seu artigo “As técnicas do Yoga”: “As peças que compõem o Yoga são analogamente relacionadas ao jogo de xadrez: não adianta saber como se movimentam os elementos, é preciso ser um enxadrista. Não é possível ser apenas um técnico de Yoga! Se você sabe movimentar perfeitamente cada peça, mas não sabe o que fazer com seu conjunto e como combinar os seus
movimentos, visando o desenvolvimento de um objetivo mais sutil, elas não o levarão a lugar algum.”



* Trecho de "Manual do Hatha Yoga - 108 Famílias de Ásanas" (Marcos Taccolini)

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